terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Cadê minha caixinha?

Minha família tem o sangue quente. Todo mundo é uma bomba relógio prestes a explodir sem prévio aviso. Sabe que até hoje eu não sei como as estruturas da minha casa ainda resistem à eventuais surtos mensais que minha mãe tem?

Esses dias, meu irmão e eu ganhamos um 'presente de natal' do nosso pai: 100 reais pra cada. 70 foram embora na minha bicicleta, outros 20 foram pro presente de sexagésimo aniversário da minha avó, e 10 usei pra assistir Gato de Botas.

Meu irmão? Ele comprou aquela maldita caixinha de som com entrada USB que tá na moda agora. 60 foram nela e 22 num pendrive, o resto não me pergunte.



Foram dias, repito DIAS, levando a caixinha pra lá e pra cá. O problema não era nem isso quase.
O problema é o gosto musical do prodígio:

Michel Teló com 'Ai se eu te pego, delícia, delícia e tudo mais', Luan Santana, Fernando & Sorocaba, Gustavo Lima, João Bosco & Vinícius, e aquela merda de música que o cara não vai não, não vai não, por que a mulher não deixa não.

Botei naquela bagaça as minhas músicas preferidas e eu fiquei atazanando ele o dia inteiro com isso. A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena... Mas quem liga? -n

Até que um belo momento fui ler e relaxar com a brisa e a sombra debaixo da árvore em frente da minha casa. Com a caixinha e um Harry Potter.
Deixei a caixinha debaixo da cadeira de varanda.
Fiquei ali muito tempo.
Cansei e fui pra dentro. Dessa vez relaxar no PC.

Tempinho passou. Minha mãe, irmão e avó tinham saído e acabaram de voltar.
Meu irmão começou a perguntar da caixinha. E quando digo 'começou a perguntar' esqueça tudo o que sabe sobre isso, o moleque quase me obrigou a dizer um "POR QUE SIM, ZEQUINHA!", depois de eternidades perguntando o por quê que eu não queria falar onde estava.

Minha mãe começou a falar o preço da caixinha insistentemente e que eu tinha que trabalhar pra comprar outra (nervoso + sovinice - R$60 = Aulas de dramaturgia reprimidas).
E como eu sou um vagabundo de carteira assinada, comecei a acreditar que teria que vender sorvetes de novo pra pagar.

Minha mãe finalmente parou de falar quando saiu. E quando voltou, falou de como ela tinha visto a caixinha debaixo da cadeira, de como ela guardou e falou de inúmeras possibilidades de roubo por pessoas desocupadas, pobres ou drogadas que fariam uso indevido da caixinha e de como meu irmão sofreria até a morte por isso.

Até mais.

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