quarta-feira, 28 de março de 2012

A cigarra só trabalha porque não sabe cantar


Raul Seixas foi um cara barbudo, masoquista e desajustado que desafiou a Ditadura Militar cantando e tocando músicas dignas de serem feitas por alguém que quer morrer antes da aposentadoria.


Raulzito pregava várias idéias com sua música, por exemplo: "Viva a vida, por que ela é uma só" e "Não acredite em Deus, por que ele é um charlatão". Ou quase isso.


Seixas era adepto do hinduísmo, ou assim parecia. Em suas músicas falava abertamente de Krishna, inclusive Gítã (letra em parceria com Paulo Coelho, faixa-título do seu quarto disco)  foi inspirada em um poema hindu, chamado Bhagavad-Gítã - e foi um dos, se não o maior, sucessos de Raul Seixas.


Criticava o governo Militar. Como criticava. Se alguém pode dizer que Raul Seixas teve um inimigo, além da morte, foi a censura. Mas creio que ele não guardou rancor, afinal, ele preferia ser aquela metamorfose ambulante.


Meio hippie doidão, meio rockeiro, meio cantor de baião, meio cantor de country, Raul foi o maior cantor da... MPB. 


Apesar de cantar e tocar pouco se importando com o perigo, ele não dançou por causa da censura. Morreu de pancreatite, veja você. Mas pode-se dizer que venceu a morte. Mais de 20 anos depois de vestir o terninho de madeira, ainda converte gente para o "Raulseixismo", sem bater palmas de porta em porta perguntando se alguém têm tempinho pra conversar.


Minhas músicas preferidas. Quase impossível escolher à dedo:

Kboing

Rádio UOL
Gítã

Várias músicas foram lançadas após sua morte, dentre elas, algumas que foram censuradas.


Tchau. E lembre-se: quem não tem colírio, usa óculos escuros; quem não tem visão, bate a cara contra o muro.