sexta-feira, 20 de abril de 2012

O Rebelde Independente - Capítulo 7

É necessário ler:

Arrumando a Casa

Não demorou muito para que os outros nobres seguissem os passos de Dom João e família, e começaram a tomar as casas dos cariocas.

Batiam na porta, e com toda a delicadeza despejavam quem estivesse dentro, com todos os seus pertences, para o meio da rua, depois entravam e colavam na porta:

PR

Prédio Roubado.

A Coroa Portuguesa lamenta a perda de sua casa, mas nós temos sangue azul e você não. Portanto, essa casa agora pertence a um nobre por tempo indeterminado. Acredite, não gostamos disso tanto quanto você.

Obrigado.

O que dizia mesmo o cartaz era somente PR, que significava “Príncipe Regente”, mas os termos mais legais que os historiadores conseguiram satirizar foram “Ponha-se na Rua” e “Prédio Roubado”, sendo o segundo meu preferido.

...

-Tu fizeste o quê? – perguntaram toda a Família Real em coro (Menos Dona Maria Louca que estava ocupada demais murmurando algo sobre vestidos rendados sob-medida do Botsuana, e como eles eram caros).

-Abri os portos para as Nações Amigas. – Respondeu Dom João.

Estavam todos sentados à mesa tão suntuosa quanto possível, jantando. O máximo conforto que conseguiram foi Quinta da Boa Vista, um parque onde se localiza um casarão (pra não dizer mansão), que pertenceu a Elias Antônio Lopes, que o cedeu de bom grado depois de perceber que estava falando com o Príncipe Regente que mandava na bagaça toda; aquele cara de trás da porta.

-Meu Deus do céu... - exclamou a tia de Dom João.

-Pois é – disse Dona Maria Louca.

-Eu não acredito... – exclamou a cunhada de Dom João.

-É, é realmente inacreditável – tornou a dizer Dona Maria Louca.

-Como pode ser! – protestou Dona Calota.

-Também fiquei indignada! – disse outra vez Dona Maria Louca.

-Olha o que tudo isso está custando! – gritou Maria Teresa.

-Foi isso que eu disse! – insistiu Dona Maria Louca.

-Por quê? POR QUÊ? –gritou de novo Dona Carlota , estupefata.

-Calma, gente! Foi só um vestido! – bradou Dona Maria Louca.

O status de “colônia” que o Brasil tinha, dava o direito a Portugal de controlar como e para onde os produtos oriundos daqui iam, assim como o dinheiro resultante, que geralmente acabava nos bolsos de sangues-azuis.  Porém, com a vinda da Família Real e a capital do Ultramar se instalando por aqui, o controle alfandegário foi quebrado e o Brasil pôde comercializar com qualquer país do mundo, o que fazia ser um suplício muito grande aos portugueses começar a aceitar o abandono completo da sua terra natal e a Inversão de Metrópole.

-Ora, pensem bem, Portugal não é mais a nossa casa... Estamos aqui agora... Isso foi necessário! – arriscou sensatamente Maria Isabel.

-Ela está certa – Pedrinho apoiou a irmã

-Mas pra você é fácil falar, não é? Vive de amores por estas terras... – acusou Maria Teresa.

-Papai sofreu pressões de todos os lados e ainda está sofrendo, agradeça por estar viva e segura por estas terras – disse Pedrinho, sublinhando a última parte. O que conseguiu fazer Maria Teresa foi somente fuzilar Pedrinho com os olhos semicerrados.

-Além do mais, a Abertura dos Portos para as Nações Amigas foi sugestão do conde de Linhares, e uma exigência da Rainha. – interpôs Dom João.

-Ah, claro, e com “Para as Nações Amigas” o conde quis dizer à Inglaterra, não é? – perguntou Maria Teresa, sarcasticamente.

-Bom, quem deu a idéia do nome fui eu... – respondeu Dom João.

 -Creio que “Abertura dos Portos para as Nações Usurpadoras” não seria um bom título – respondeu Pedrinho

...

Realmente, Abertura dos Portos beneficiou mais a Inglaterra do que qualquer outro país: para serem comercializados no Brasil, os produtos estrangeiros tinham uma alíquota de 24% a ser pagos; os de Portugal, 16%; e os da Inglaterra, 15%, o que foi reforçado dois anos mais tarde com o Tratado de Cooperação e Amizade entre as Coroas Portuguesa e Britânica. 

Por conta disso, num instante a economia luso-brasileira estava dominada pelos produtos ingleses, e o que era produzido aqui não tinha força.

Entretanto, muitos bons frutos foram colhidos: como a corte estava falida quando veio para as terras tupiniquins, conseguiu se recuperar consideravelmente; o Brasil deixou de ser realmente o que se pode chamar de colônia, e muita coisa mudou pra melhor.

 Foi criado o Banco do Brasil, a Casa da Moeda, a Imprensa Régia, a Academia Real Militar, a Biblioteca Real, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, diversas escolas medicinais e muitas outras instituições que melhoraram a vida da elite brasileira, transformando totalmente o cenário colonial – o que perdurou por muitos anos.

Esse período de mudanças, completamente esquisito para a época, foi chamado de Período Joanino.