sexta-feira, 27 de abril de 2012

O Rebelde Independente - Capítulo 8

É necessário ler:

Rinha de Ibéricos.

 Enquanto as coisas em terras tupiniquins estavam indo de vento em popa, a prosperidade começava engatinhar e Dom João começava a reerguer sua família da falência distribuindo títulos de nobreza adoidado; as coisas do outro lado do Atlântico, para quem não possuía propriedades valiosas, quem não tinha no mínimo 5 escravos próprios,  quem estava falido economicamente, quem era desprovido de fortunas e tesouros, enfim,  quem era paupérrimo sem dinheiro algum; estavam terrivelmente pretas.

 Quando a Família Real saiu o mais que depressa possível de sua própria nação, junto com um monte de outros sangues-azuis ricos e poderosos, deixou os franceses a ver navios, daí a origem da expressão.

O ruim é que esses franceses não ficaram parados olhando com caras de bocós para os navios, o que seria um tremendo anti-depressivo para o povo português.

Vamos recapitular: Napoleão Bonaparte está conquistando toda a Europa, até que uma rainha teimosa decide não ceder as suas ordens, o ameaçando com um cascudo.

 A Inglaterra, como maior potência econômica e industrial do mundo, tem firmes negócios, acordos políticos e mercantes com a maioria dos países europeus. Como a Rainha não cede ao domínio francês, o que é um tremendo exemplo de coragem e estupidez, Napoleão resolve agir abalando a economia inglesa, decretando o Bloqueio Continental – fazendo com que não houvesse comércio entre britânicos e as demais nações européias.

Como você e eu sabemos, Portugal é um país europeu como todos os outros , porém foi o único a ter toda sua Corte  exilada em solo americano, deixando lusitanos sozinhos e desamparados - a iminente destruição chegava à galope com soldados espanhóis e franceses.

 Porém, como também sabemos, na monarquia existe esse negócio de família sangue-azul, arranjo de casamento e acordos entre reinos por parentesco de seus monarcas. Acontece que Dona Carlota Joaquina, esposa de Dom João, era filha do rei Carlos IV da Espanha.

 Aí você me pergunta, “por que diabos um exército de espanhóis estava indo atacar Portugal, se a filha do rei deles estava lá feliz da vida?”. A resposta é: um anão de cabeça chata e canelas finas, chamado Napoleão Bonaparte.

 Enquanto Dom João conversava com a Rainha por carta, Napinho organizava suas tropas que já estavam na Espanha, e obrigava o Rei a se retirar do trono:

-Mas nem que a vaca voe! – esganiçou-se Carlos IV.

-Até onde eu sei, a Rainha da Inglaterra não tem asas. Agora me dê essa maldita coroa e caia fora daqui. – disse Bonaparte.

-Não ofenda a Rainha na minha frente! – esganiçou-se um tom acima Carlos IV.

- Deixa eu te dizer uma coisinha: não adianta ficar mancomunado com a Rainha pra se opor a mim. Vocês fizeram o mesmo no Rossilhão, e nós dois sabemos que não deu certo. – retorquiu Bonaparte.

-Você só vai se apoderar do meu reino por cima do meu cadáver!

-Não seja por isso – disse Napoleão, apontando o primeiro rifle que achou por perto.

E foi assim que a Espanha também foi dominada por Napoleão Bonaparte.

...

Espanhóis e franceses, marchando desabalados para forçar o domínio napoleônico. Em parte pra não deixar todo mundo morrer, e em parte pra não deixar seus negócios irem pro ralo, a Inglaterra desembarcou reforços na Espanha e em Portugal.

 Foi o período que se denominou “Guerra Peninsular”, por se localizar na Península Ibérica. Mas aqui vamos chamá-la de Rinha de Ibéricos mesmo.

 A França, único galo da rinha, e o único que não era Ibérico, tinham um exército magnífico. Avassaladores, as tropas entraram em Portugal não encontrando nenhuma alma viva para guerrear, o que, portanto, fazia com que não houvesse motivos para serem avassaladores.

Chegando à Lisboa, o que conseguiram ver, e apertando os olhos, foram navios. Navios estes que já estavam a quilômetros da terra firme, cortando os mares à procura de outra terra firme que fosse realmente firme, não desmoronando ao comando de um anão.

Jean-Andoche Junot era o nome do dito cujo general responsável pela dominação forçada sem carência de força de Portugal.

Os ingleses chegaram pouco depois deles, em  Agosto de 1808, e, já que todo o governo se escafedeu, tiveram que mobilizar o povo:

-Vamos, senhores, seu Rei está do outro lado do mundo, aceitem isso! – Disse Arthur Wellesley, responsável pela resistência Ibérica aos franceses.

-Não importa! Nós obedecemos SOMENTE a ele, não discuta! – Disse um senhorzinho rechonchudo de bigodes.

-Mas ele não está aqui para vocês o obedecerem! – insistiu Arthur Wellesley.

-Exato. Ele não pode nos mandar fazer nada, justamente por que não está aqui, portanto não fazemos absolutamente nada mesmo – disse o senhor rechonchudo.

-E o letreiro?

-Que letreiro?

-Esse letreiro – disse Arthur Wellesley, apontando pro letreiro do porto de embarque. – “aqui a Coroa Portuguesa se dirige a vós: tereis que ficar e lutar pelo seu país. Lutar e morrer pois não vamos fazer grandes investimentos nessa guerra”.

-Ah, esse letreiro... Certo, homens! Todos ponham-se de pé! Todos com suas armas! Todos seguindo Sir Wellesley! É hora de morfar!

O raciocínio é o seguinte: “Não basta ter sido falado ou encorajado. Tem que estar escrito em algum canto pra ser oficial.”