sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Retrospecto da Maravilhosa Montanha-Russa Religiosa


Quem vê esta lista pode pensar duas coisas sobre ela: 
1 - A maioria dá a entender que é algo a respeito de religião
2 - As datas são relativamente distantes umas das outras
3 - Os títulos são fodas

Chutando a modéstia pra puta que pariu, realmente, tenho que admitir, os títulos são fodas. Eu penso muito antes de colocar um, pra ser bem interessante, e quebro a cabeça (às vezes durante horas) pra fazer o conteúdo dos posts ser ácido, irônico, impactante. Afinal, sem um solavanco, sem um tiquinho de audácia, sem um certo tom de desafio, ninguém vai querer ler, e muito menos pensar a respeito. Depois de um tempo eu sempre acho que tem algo num texto que devia melhorar, que eu devia ter escrito de outra forma, e às vezes, penso que sou rude demais. Mas aí várias pessoas já leram, e já não adianta. E que piada, eu nunca sou rude demais, eu devia ser até mais rude. xD

Esses posts, se não faltou algum, são todos os posts sobre religião que eu já escrevi aqui no blog. É um assunto que tem povoado furtivamente minha cabeça há pelo menos dois anos. Desde a publicação do primeiro, já se foram 29 meses, no entanto, eu comecei a pensar sobre religião muito antes.


Eu tinha uma relação de 'amor e ódio' com a igreja que frequentava. 'Odiar' não, porque eu não odiava. Só achava chato. Diferente de outras denominações, a CCB não tem uma integração maior com a comunidade, e não fala em uma linguagem aprazível aos jovens. Os cultos de jovens (o correto seria PARA jovens, porque da maneira que está subentende-se que os jovens são cultuados...) eram quase vazios, com uns poucos frequentadores inconstantes, e dentre os constantes, havia sono durante o culto. Muito sono. Não que seja culpa dos pregadores, nem nada, eles faziam o que podiam, mas o estilo de pregação que impera na CCB é "Deus está na sua vida, Deus vai fazer uma obra, Deus vai te livrar disso, você já está selado com a promessa", e falar em línguas. Mas um jovem não quer saber disso. Um culto de jovens é basicamente, um culto de adultos, com a diferença dos recitativos, que são papeizinhos em que se escreve um versículo da bíblia, faz-se uma fila, e recita-se, cada qual um versículo de um capítulo qualquer do livro sagrado.

Mas eu passei por bons momentos também. Quem me vê hoje não imagina que eu cantava todos os hinos em voz alta sem vergonha dos outros, que eu me prostrava e orava (de verdade!), que eu fazia votos e os pagava, que testemunhava, que já orei no púlpito para toda a igreja, que chorei diversas vezes, saindo de lá com aquela euforia e certeza absoluta da existência do Criador e da magnanimidade de Jesus Cristo. Meu hino predileto era Rosa de Saron, e invariavelmente chorava igual uma garotinha TODAS as vezes que ele era tocado. Isso antes da letra mudar, é claro.

Às vezes me bate uma saudade desses sentimentos. Aí eu penso: Como eu pude deixar tudo isso? Como é possível eu não sentir mais nada quando a palavra de Deus é impelida para os meus ouvidos? Por que eu não choro mais? Por que eu não sinto orgulho de vestir terno e gravata e ser chamado de 'irmãozinho' a caminho da igreja?

A resposta está registrada nos posts acima. Hoje eu não acredito mais, não sinto mais, minha fé foi-se por completo. Mas não tenho orgulho disso. Eu juro que eu tentei, com todas as minhas forças, evitar ser chamado de "ateu". Eu não gosto do termo. Ele tem uma conotação sombria e é sinônimo de intolerância e desrepeito por culpa dos imbecis que se fazem valer dele para inflar seus egos. É difícil pra mim lidar com tudo isso.

Em "O Fim da Minha Abstinência Religiosa" eu comento que "Do meio mais turbulento e complexo do Cristianismo, me lancei de cabeça diretamente para as profundezas Ateísticas, terreno onde eu sempre pensei que não havia espaço para outras considerações, a não ser para a razão. Dali eu nadei desesperadamente para algo que não fosse tão extremista e encontrei 'as filosofias de cima do muro' chamadas Deísmo e Agnosticismo, que também não me satisfizeram."

Já em "Londres e a Loteria da Babilônia", eu relatei que quando Avril me perguntou de qual religião eu era, eu respondi "deísta". Até então eu não tinha me firmado em nenhum dos três (Ateísmo, Deísmo ou Agnosticismo), e respondia, sempre que alguém me perguntava, com "deísta" ou "agnóstico", e até mesmo com um "não sei", mas "ateu", nunca.

Em suma, para mim, o ateísmo não fazia sentido. Como o universo veio a existir sem um estopim, sem algo que o induzisse a vir a ser? Tinha de haver um Deus, não necessariamente presente em alguma religião, mas uma força, energia, algo que pudesse ser chamado de Criador. Mas minha opinião mudou da água pro vinho quando conheci um argumento do famoso astrofísico americano Neil deGrasse Tyson.

Ele diz que "Deus é um bolso cada vez mais vazio de ignorância científica", ou seja, se analisássemos a história humana desde os primórdios da razão, Deus vinha diminuindo cada vez mais sua participação na Natureza e no pensamento humano. Antes Deus fazia o sol nascer, a noite cair, os eclipses, as estações do ano, as flores germinarem e as folhas das árvores caírem. Hoje nós temos explicações embasadas e irrefutáveis a respeito de todos esses fenômenos e muitos outros, a ciência progride cada vez mais. Dizer que só porque não entendemos como algo acontece ou aconteceu, sugerir Deus como resposta não resolve o problema, só o transfere. É como mandar os cientistas largarem os tubos de ensaio, microscópios e telescópios, porque a questão estaria simplesmente resolvida (o que, diga-se de passagem, aconteceu muito frequentemente no decorrer da história, e se tivessem vingado, muito do que acontece a nossa volta ainda continuaria um mistério). Portanto, dizer que "Deus fez e pronto", não é tão simples, afinal, de onde veio Deus? Por que ele fez? Como ele fez? São as mesmas perguntas que se fazem atualmente quanto à origem do universo. "O que veio do nada, Deus ou o Universo? Bem, o universo está aí pra todo mundo ver, me apresente Deus e continuamos o debate".



Deus (e divindades) hoje em dia, servem mais como um preenchimento do vazio humano do que para resolver qualquer questão filosófica ou científica. O Deus de hoje serve tão-somente para prover a moralidade, ética, vida em comunidade e espiritualidade. Mas todas essas coisas são possíveis e indifrentes à ideia de Deus. Deus é inútil para a Natureza, para o início de tudo, e para o homem também.

Uma prova disso é a existência de religiões não-teístas, como o Budismo, Jainismo e Confucionismo. Em todas elas Deus não é o foco, a crença em Deus ou deuses é indiferente. 

Em "Jornada ao Centro do Ego", comento o contato que tive com o budismo, sobre o qual admito estar indeciso até o presente momento. A verdade é que eu tenho medo do budismo. É bom demais pra ser verdade... Tenho medo de não estar entendendo direito, enganando a mim mesmo, achando ele uma maravilha, uma religião perfeita, uma utopia. Mas continuo meditando por conta das evidências científicas acerca da prática, e quero ter um professor, pra suprir minha ânsia de entender direito do que se trata.

Quero deixar claro que minhas opiniões citadas neste post podem mudar, estou aberto ao debate a qualquer um que queira me fazer sentir como eu me sentia antes. Eu adoraria acreditar em Deus novamente. A beleza das coisas, opiniões e pensamentos é a liberdade que temos de poder mudá-las. Sem diálogo não há crescimento. Por isso mesmo eu discordo veementemente da afirmação de que "religião não se discute". TUDO se discute. Não há regras invioláveis, não há conceitos imortais, não há ideias universais. Tudo está em constante fluxo.

Deixarei este post como uma referência a qualquer que me questionar a respeito de minha visão religiosa, ou falta dela.

Até mais, cabritos andarilhos dos trilhos de trem ~~