segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Amo-te

"A questão não é se existe ou deixa de existir, a questão é a maturidade do amor, à ponto das pessoas negligenciarem sua real existência, dizendo que o amor depende do quanto você consegue ser terceira série pra dizer coisinhas fru-fru e coloridas pra quem você quer só até semana que vem." - Eu, Bruno de Luca, post O Protocolo dos Relacionamentos, Julho de 2012.

Eu tinha 14 anos naquela época. "Naquela época".... Nem faz tanto tempo assim. Naquele post eu dou meu parecer acerca do que significa ter um relacionamento, de amizade ou romântico. E meu parecer foi de que todas as pessoas são falsas, hipócritas, ignóbeis e dúbias. Bem de leve, suave e descontraído, como todos os meus textos.

Eu via as pessoas demonstrando todo seu 'pseudo-amor' de maneira duvidosa, por exemplo, a alguém que conheceu há uma semana; com direito a posts no orkut cheios de coraçõezinhos e beijinhos, e declarações da boca pra fora. Cheguei a conclusão de que o amor de verdade, se é que existia, devia ser uma coisa raríssima, tão rara que talvez eu nunca chegasse a conhecer na vida. Também cheguei à conclusão de que, ou as pessoas diziam que amavam para zelar as aparências, ou elas se enganavam muito, mas muito feio.

"Amor" é uma palavra fortíssima. Não se pode usar de qualquer maneira, em qualquer contexto, jogá-la ao vento, como se fosse algo perfeitamente comum, mecânico, e pegar alguns clichês universalmente conhecidos pra dar mais 'confiabilidade' no que se está dizendo. Isso é enganar perversamente a si mesmo e ao outro. Cada vez que eu via em alguma rede social um "eu te amo", eu me perguntava se a pessoa realmente sabia o que aquilo queria dizer.

"Eu te amo". Engraçado, né? São três palavrinhas bem simples, com gramática mal empregada, mas que dão um trabalho enorme dizê-las em voz alta. Sempre ensaiei mentalmente como seria dizer isso, imaginava como minha cara deveria estar, qual seria a entonação perfeita, o contexto em que seria dito, se de pé, se sentado, se deitado, se de frente, se de lado, se do outro, se a pessoa a quem eu dissesse um dia iria existir no mundo real. Mas eu não ousava dizê-las em alto e bom som nem quando pensava nisso tudo. Se eu acredito em algo que seja sagrado, são essas três palavras.

E eu as disse.

Eu as disse, e sinto um desejo incontrolável de dizê-las de novo. E de novo. E gritá-las. E escrevê-las, e declamá-las.

E aí não existem outras palavras pra descrever o que é sentir isso, apesar de muitos antes de mim terem tentado, e haver um rol de substantivos, sinônimos e alegorias que eu possa me debruçar pra tentar explicar, mas que não serão suficientemente apropriadas.

Só sei que perto dela, o coração resolve dar o ar de sua graça, pulando como se não houvesse amanhã.

Perto dela, o pulmão resolve não gostar mais do ar. Expulsa-o como se fosse um intruso indesejado.

Perto dela, sempre há um menininho bobo alegre, que sou eu, que desaprendeu a pensar, mas que aprendeu a sorrir e a suspirar.

Perto dela, as palavras insistem em não fazer sentido, de repente não há lógica, não há teoria, raciocínio, razão, há somente um sentir desinibido.

Perto dela, frio na barriga é algo recorrente, junto com arrepio e calafrio, desejo que se mostra tempestuoso e silente.

Longe dela, dormir é sacrifício, sorrir é difícil, chorar é quase inevitável, e esse amor, que tanto duvido, insiste em dizer que nem pela distância é quebrantável.

Subitamente, nada mais importa, nem mesmo sua própria aprovação. Nem a aprovação de terceiros. Nem o ressurgimento insistente de pessoas do passado. Nem o terror puro e absoluto de ser obrigado a nunca mais tê-la por perto. Nem o meu próprio sofrimento. A única coisa que importa é dizer "Eu Te Amo", quantas vezes eu puder, quantas forem necessárias, quantas vezes ela se permitir ouvir.

Eu sou e sempre serei o primeiro a pôr em cheque a veracidade dessas três palavras, e sempre que o faço, me torno a primeira e talvez única testemunha de quão verdadeiras elas são quando saem dos meus lábios. 

Sempre serei eu o primeiro a me perguntar: "É isso mesmo? Você tem certeza? Cheque outra vez", pois meu lado cético e sistemático insiste em ter certeza das coisas. Não há certeza maior do que esta. Nunca haverá.

Eu Te Amo.
Você não sai da minha cabeça.
Quero te abraçar e não soltar mais.
Quero te beijar até não poder mais.
Quero suspirar, ridiculamente, até perder a destreza. 
Quero dizer isso, até você ter certeza.